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Paraíba tem 3,3 mil jovens vítimas de violência, com 269 mortos

O Estado da Paraíba registrou 3,3 mil denuncias ao Disque 100 sobre violência contra crianças e jovens, entre 0 e 19 anos, e 269 mortes nessa faixa etária. Os dados são referentes a 2016 e fazem parte do Observatório da Criança, publicado na terça-feira (24) pela Fundação Abrinq.

Conforme a pesquisa, foram abordadas denúncias envolvendo violência física, sexual, psicológica e outros casos. Mesmo com o número alto, em comparação com 2015 (4.002), houve uma queda de 18% na quantidade de denúncias.

Em 2016, a pesquisa registrou 711 denúncias de violência física; 1.289 de negligência; 739 de violência psicológica; 319 de violência sexual; e 242 de denúncias sobre outras violências.

No ranking, o estado ocupou a 16ª posição nacional na quantidade de denúncias por violência física, psicológica e negligência; 15ª posição com relação a denúncias por violência sexual; e 14ª posição em outras denúncias.

Mortes - A pesquisa também estabeleceu um quantitativo de casos envolvendo homicídios de crianças e jovens entre 0 e 19 anos. Em 2015, o estado teve 250 mortes por arma de fogo contra crianças e jovens, contra 223 casos em 2016, o que representa uma queda de 11%.

Com relação a mortes totais contra crianças e jovens, em 2015 foram 287 casos, contra 269 em 2016, o que representa uma queda de 6%.

Com relação ao ranking nacional da pesquisa, a Paraíba é o 17ª estado colocado na quantidade de mortes por arma de fogo de crianças e jovens até os 19 anos; e o 16ª colocado na quantidade de mortes em geral de crianças e jovens.

Promotora vê subnotificação de casos - Ao Portal Correio, a promotora de Justiça da Cidadania e do Adolescente, Soraya Escorel, afirmou que os dados não correspondem aos casos que acontecem de fato e muitos, por ocorrer dentro de casa, são omitidos.

“Infelizmente existem casos que não são denunciados e são silenciados por toda uma vida, perpetuando o ciclo da violência e afetando milhares de crianças e adolescentes, provocando consequências graves e profundas na saúde, na inserção social e no desenvolvimento das vítimas. Muitos casos não chegam a ser denunciados por acontecerem justamente dentro de casa e praticados por quem tem o dever de proteção, geralmente pais, padrastos, vizinhos, pessoas próximas e da confiança da vítima, que é ameaçada pra não revelar o segredo e a família”, contou a promotora.

Ainda conforme a promotora, a violência contra crianças e adolescentes é difícil de ser resolvida, mas deve ser combatida com serviços eficientes de apoio às vítimas.

“O Ministério Público enfrenta o problema através de ações permanentes e intersetoriais.  Realiza campanhas de sensibilização com divulgação e distribuição de material, realiza ações de fiscalização e repressão aos crimes. Do ponto de vista preventivo, o Ministério Público contribui através da realização de palestras nos diversos espaços da sociedade, bem como participando de debates sobre o tema e fomentando a elaboração e implementação de políticas públicas de apoio às vítimas. Também desenvolve projetos de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes em suas mais variadas formas”, afirmou Soraya Escorel. (Portal Correio)

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